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Vou perder o controlo na hipnoterapia?

Controlo na Hipnoterapia

Uma das maiores dúvidas antes da primeira sessão de hipnoterapia é esta: “E se eu perder o controlo?”

Em poucas palavras

Não, não perdes o controlo durante uma sessão de hipnoterapia.

A hipnose terapêutica não é sono, inconsciência ou submissão. É um estado de atenção focada, relaxamento e maior abertura à experiência interna.

Continuas presente.

Continuas a ouvir.

Continuas a poder falar.

Continuas a poder ajustar.

Continuas a poder abrir os olhos ou parar a qualquer momento.

A hipnoterapia não te obriga a fazer nada contra a tua vontade. Pelo contrário, é um processo colaborativo, onde o terapeuta guia e tu participas de forma activa, ao teu ritmo.

O medo mais comum: “E se eu perder o controlo?”

Esta é uma das perguntas mais comuns antes da primeira sessão de hipnoterapia.

Às vezes, a pessoa diz isto em voz alta.

Outras vezes, não diz, mas o corpo diz.

Há uma pequena hesitação.

Uma dúvida.

Um “tenho curiosidade, mas…”

E esse “mas” costuma esconder um medo muito humano:

“E se eu perder o controlo?”

“E se eu disser algo que não quero?”

“E se eu ficar inconsciente?”

“E se não conseguir sair?”

“E se a terapeuta conseguir mandar em mim?”

Faz sentido que este medo exista.

Durante muitos anos, a hipnose foi apresentada em filmes, programas de televisão e espectáculos como se fosse uma espécie de poder estranho sobre outra pessoa.

Alguém estala os dedos.

A pessoa “apaga”.

Faz coisas ridículas.

Depois acorda sem se lembrar de nada.

Mas isso não é hipnoterapia.

Na hipnoterapia, não estás num palco.

Não estás a entreter ninguém.

Não estás a entregar o teu poder a outra pessoa.

Estás num espaço terapêutico, com consentimento, segurança e colaboração.

E isso muda tudo.

Hipnoterapia não é perda de controlo

Na hipnoterapia, o teu controlo não desaparece.

Na verdade, muitas vezes o que acontece é o contrário: começas a recuperar contacto com partes de ti que estavam em piloto automático.

Porque perder o controlo não é aquilo que acontece em hipnose.

Perder o controlo, muitas vezes, é o que a pessoa sente antes de procurar ajuda.

Quando a ansiedade toma conta.

Quando a mente não pára.

Quando o corpo reage antes de conseguires pensar.

Quando dizes “sim” enquanto algo em ti queria dizer “não”.

Quando repetes o mesmo padrão, mesmo sabendo que já não te faz bem.

A hipnoterapia não vem tirar-te controlo.

Vem ajudar-te a compreender e reorganizar respostas internas que já estavam a acontecer automaticamente.

Então, o que acontece numa sessão de hipnoterapia?

Numa sessão de hipnoterapia, és guiada para um estado de maior foco, relaxamento e contacto interno.

Isto pode acontecer através da respiração, da voz, da imaginação, da atenção ao corpo, de metáforas ou de sugestões terapêuticas.

Mas continuas presente.

Podes ouvir sons à tua volta.

Podes reparar na minha voz.

Podes sentir o corpo.

Podes ter pensamentos.

Podes emocionar-te.

Podes falar, se for necessário.

Podes abrir os olhos.

Não há um botão mágico.

Há um processo.

E esse processo depende muito da tua disponibilidade, da tua segurança interna e da relação terapêutica.

A hipnose não é algo que “te fazem”.

É algo em que participas.

“Mas eu fico inconsciente?”

Não.

Na maioria dos casos, a pessoa fica consciente durante a sessão.

Pode sentir-se muito relaxada.

Pode perder um pouco a noção do tempo.

Pode sentir o corpo mais pesado ou mais leve.

Pode entrar num estado mais imaginativo, simbólico ou interno.

Mas isso não é inconsciência.

É mais parecido com aqueles momentos em que estás tão absorvida num livro, numa música, numa paisagem ou numa conversa profunda que o mundo exterior fica menos importante por uns instantes.

Continuas lá.

Só estás mais focada por dentro.

“E se eu disser coisas que não quero dizer?”

Também não és obrigada a dizer nada que não queiras.

A hipnoterapia não é um interrogatório.

Não é uma confissão.

Não é uma técnica para arrancar segredos.

O teu ritmo importa.

Há pessoas que falam durante a sessão.

Há pessoas que ficam em silêncio.

Há pessoas que partilham imagens, sensações ou emoções.

Há pessoas que só falam no fim.

Tudo isto é válido.

O trabalho terapêutico não precisa forçar exposição para ser profundo.

Muitas vezes, a mudança começa precisamente quando o sistema percebe que não vai ser pressionado.

“E se eu não conseguir sair da hipnose?”

Consegues.

Podes abrir os olhos.

Podes mexer o corpo.

Podes falar.

Podes voltar a orientar-te para a sala.

O estado hipnótico não é uma prisão. É um estado natural de foco interno.

Mesmo quando a pessoa está muito relaxada, ela não fica “presa”.

No fim da sessão, há sempre uma orientação gradual de regresso: respiração, corpo, sala, sons à volta, olhos abertos, presença.

E se por algum motivo fosse necessário parar antes, também seria possível.

O corpo sabe voltar.

A hipnoterapia é colaboração, não comando

Este ponto é essencial.

A hipnoterapia funciona melhor quando existe colaboração.

O terapeuta não manda.

O terapeuta guia.

A pessoa não obedece.

A pessoa participa.

As sugestões terapêuticas são convites. Não ordens.

E o teu sistema interno pode aceitar, adaptar ou rejeitar aquilo que não fizer sentido para ti.

Na minha prática, isto é muito importante: não trabalho contra ti, nem contra as tuas defesas, nem contra o teu ritmo.

Trabalho contigo.

Mesmo as partes que resistem, controlam ou desconfiam não são vistas como problema.

Muitas vezes, são partes que tentam proteger-te.

E antes de qualquer mudança profunda, essas partes também precisam sentir que não vão ser ultrapassadas à força.

“Mas e se eu for muito controladora?”

Então talvez a hipnoterapia possa ser especialmente interessante.

Não porque vai tirar-te o controlo.

Mas porque pode ajudar-te a perceber porque é que uma parte tua precisa tanto dele.

Muitas pessoas muito funcionais, responsáveis e exigentes vivem com uma tensão interna enorme.

Por fora, conseguem.

Organizam.

Respondem.

Trabalham.

Cuidam.

Decidem.

Resolvem.

Por dentro, estão cansadas.

E quando chega o momento de relaxar, o corpo não sabe como.

Porque uma parte aprendeu:

“Tenho de estar atenta.”

“Tenho de prever tudo.”

“Tenho de estar preparada.”

“Tenho de manter tudo sob controlo.”

“Se eu relaxar, algo pode correr mal.”

A hipnoterapia pode ajudar a trabalhar com essas respostas de forma respeitosa.

Não para arrancar o controlo das tuas mãos.

Mas para que o teu sistema comece a perceber que talvez não precise viver sempre em modo de vigilância.

Toda a hipnose é, de certa forma, auto-hipnose

Esta é uma ideia importante.

O terapeuta pode guiar, mas não pode entrar no teu mundo interno por ti.

És tu que respondes.

És tu que imaginas.

És tu que sentes.

És tu que permites.

És tu que, no teu ritmo, vais abrindo espaço para novas associações e novas respostas.

Por isso, a hipnoterapia não é uma relação de poder sobre ti.

É uma forma de facilitar o acesso a recursos internos que muitas vezes ficam abafados pelo stress, pela ansiedade, pela auto-exigência ou por padrões antigos.

Porque é que algumas pessoas têm medo da hipnose?

Muitas vezes, o medo vem de três lugares.

O primeiro é a imagem cultural da hipnose: filmes, palco, truques, relógios, pessoas a fazer coisas estranhas.

O segundo é a própria história da pessoa. Se alguém precisou controlar muito para se sentir segura, qualquer experiência de relaxamento profundo pode parecer vulnerável no início.

O terceiro é falta de informação. Quando não sabemos como algo funciona, a mente preenche os espaços vazios com cenários assustadores.

Por isso, conversar antes da primeira sessão é tão importante.

Uma boa primeira conversa permite esclarecer dúvidas, perceber o teu ritmo, explicar o processo e sentir se existe segurança suficiente para avançar.

Não é só uma questão técnica.

É uma questão de confiança.

Como te podes sentir mais segura antes de uma sessão?

Podes começar por fazer perguntas.

Por exemplo:

“O que acontece durante a sessão?”

“Posso abrir os olhos?”

“Posso parar se me sentir desconfortável?”

“Tenho de falar durante a hipnose?”

“E se eu não conseguir relaxar?”

“Como sei se estou em hipnose?”

“O que acontece no fim?”

Um bom profissional deve conseguir responder com clareza, sem dramatizar e sem prometer milagres.

Também pode ajudar começares com práticas simples de relaxamento, respiração ou meditação guiada, para te familiarizares com estados leves de foco interno.

Mas não precisas “saber entrar em hipnose” antes da sessão.

Faz parte do processo ser guiada.

A hipnoterapia é segura?

A hipnoterapia, quando conduzida por um profissional qualificado, com consentimento, ética e respeito pelo ritmo da pessoa, é geralmente considerada uma prática segura.

Ainda assim, segurança também significa reconhecer limites.

A hipnoterapia não substitui acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico quando esse apoio é necessário.

E em situações de trauma complexo, crises intensas, dissociação significativa, pensamentos de auto-agressão ou sofrimento psicológico grave, o trabalho deve ser feito com especial cuidado e, quando necessário, em articulação com outros profissionais de saúde.

Para mim, uma prática segura não é aquela que promete resolver tudo.

É aquela que respeita o sistema da pessoa.

Perguntas frequentes sobre controlo na hipnoterapia

Vou perder o controlo durante a hipnoterapia?

Não. Durante a hipnoterapia continuas consciente, presente e capaz de responder. Podes falar, ajustar, abrir os olhos ou interromper a sessão se precisares.

A hipnoterapia pode obrigar-me a fazer algo contra a minha vontade?

Não. A hipnoterapia não te obriga a agir contra os teus valores, vontade ou limites. As sugestões terapêuticas funcionam como convites internos, não como comandos.

Fico a dormir durante a hipnose?

Não necessariamente. Algumas pessoas ficam muito relaxadas, mas isso não é o mesmo que dormir. A maioria das pessoas continua a ouvir e a lembrar-se da sessão.

E se eu não conseguir relaxar?

Isso não é um problema. A hipnoterapia não exige desempenho. Se uma parte tua está alerta ou desconfiada, isso também pode ser incluído no processo. Não precisamos lutar contra a resistência. Podemos escutá-la.

Posso sair da hipnose quando quiser?

Sim. Podes abrir os olhos, mexer o corpo, falar ou voltar a orientar-te para o espaço à tua volta. O estado hipnótico não te prende.

Toda a gente consegue ser hipnotizada?

A maioria das pessoas consegue entrar em algum nível de foco hipnótico, mas a experiência varia. Algumas pessoas entram rapidamente em estados profundos. Outras começam por estados mais leves. E estados leves também podem ser terapeuticamente úteis.

A hipnoterapia é como nos filmes?

Não. A hipnoterapia clínica ou terapêutica é muito diferente da hipnose de palco ou das representações dramáticas dos filmes. O foco não é controlo, espectáculo ou obediência. O foco é segurança, colaboração e mudança interna.

Tenho de contar coisas íntimas durante a sessão?

Não tens de contar nada que não queiras. O processo respeita o teu ritmo. Algumas sessões trabalham mais com sensações, imagens, metáforas ou respostas internas do que com narrativa detalhada.

No fundo, a hipnoterapia não te tira o controlo

Ajuda-te a criar uma relação diferente com aquilo que, dentro de ti, já parecia estar fora do teu controlo.

A ansiedade.

A tensão.

Os padrões repetidos.

A auto-exigência.

O medo de parar.

A necessidade de agradar.

A sensação de estar sempre em alerta.

E talvez esta seja uma forma mais honesta de olhar para o tema:

A hipnoterapia não é perder poder.

É recuperar presença.

Não é apagar a tua vontade.

É criar espaço para ouvires partes de ti que talvez tenham estado demasiado ocupadas a sobreviver.

E quando o corpo começa a sentir segurança, a mente já não precisa controlar tudo da mesma forma.

Queres perceber se a hipnoterapia faz sentido para ti?

Se tens curiosidade, mas ainda sentes algum receio, podemos começar exactamente por aí.

Na Imagine Heal, trabalho com hipnoterapia transpessoal, regulação do sistema nervoso e padrões subconscientes para ajudar pessoas que funcionam bem por fora, mas se sentem sobrecarregadas por dentro.

As sessões estão disponíveis online e presencialmente em Cascais.

Podes marcar uma conversa inicial aqui:

https://cal.com/imagine.heal

Depois de agendares, confirma o email de marcação para garantir que fica tudo certo.

Sobre a autora

Nicole Farinha é Hipnoterapeuta Transpessoal certificada e fundadora da Imagine Heal. Trabalha com pessoas que vivem stress, ansiedade, sobrecarga, bloqueios emocionais, auto-exigência e padrões internos repetidos.

A sua abordagem integra hipnoterapia, corpo, sistema nervoso, subconsciente e trabalho terapêutico profundo, sempre com segurança, ética e respeito pelo ritmo de cada pessoa.

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